Os doze trabalhos de Hercules e seus significados

Doutra passagem aqui mencionei um nome estranho intitulando meu artigo e algumas pessoas apartearam-me na rua procurando saber o que é “Górgona”. Com gosto contei as histórias das irmãs. Este fato inspirou-me a investigar a biblioteca até descobrir Alcides. Sim! Hercules nasceu com o nome de Alcides, que significa “aquele que atrai as idéias”.  Será uma boa série as histórias deste que não é tão herói assim como pode pensar a primeira vista o(a) querido(a) leitor(a).

A educação na idade antiga voltava-se para formar um homem obra de arte, um homem criador. Desde mais ou menos 3.000 antes de Cristo a historia do fortão Hercules é contada. Contada para que as crianças notassem que não é necessário ser um brutamontes mas um homem completo na sabedoria, na arte e na dança. Sim! Na dança! Nos jogos olímpicos antigos havia competições de dança. A graciosidade do homem também faz parte de sua educação para a vida. Veremos bem isto no trabalho que consistiu em levar a Corsa Sirinita ao Rei Euristeu.

Para a vivência humana não necessitamos única e exclusivamente da força bruta para realizar um trabalho, mas, sim de jeito, sabedoria, verificação dos meios corretos, e acima de tudo, entregar-se à tarefa completamente com amor. De coração. Para isto os gregos utilizavam-se da ajuda de três deuses: Atená (ou Atenas) deusa da sabedoria e equidade; Hermes, o deus que ensina os caminhos e meios para as soluções dos problemas; e por fim, não menos importante Eros deus do amor (não o amor sexual apenas) que nos ensina a entregar-se com paixão naquilo que fazemos, entregar-se completamente.

Para os gregos herói é este homem completo e não os hollywoodianos que vemos hoje. Não necessitamos ser belos, fortes e vistosos. Precisamos ter sabedoria, conseguir realizar nossas atividades diária com arte, entregando-se a elas de forma dedicada. Este é o herói apresentado aos jovens na Grécia que irei tratar neste artigo.

Depurar a brutalidade. Vencer etapas, crescer na educação, vencer os instintos cegos. Inteligência! Isto faz de Hercules o herói. Educação do jovem na excelência.

Alcides nasceu de Zeus com a mortal Arkmene (que significa atrai as medidas reflexão e bom senso) era a mais justa das mulheres da Terra. Mas Era, esposa de Zeus fica com ciúmes desta traição e procura livrar-se do jovem Alcides mandando duas cobras muito venenosas picá-lo no berço. Mas como qualquer criançinha que agarra tudo que vê o bebezinho extra-forte apertou tanto as cobras que as matou. Alcides sempre foi assim, a forma antes de tudo.

Alcides era criado por Anfitrião (seu pai na terra, que piamente acreditava ser seu verdadeiro pai). Sugestivo o nome Anfitrião pois seu significado é justamente este que o leitor está pensando: aquele que recebe. E recebeu (mesmo que sem saber) como filho próprio o de Zeus com sua mulher Arkmene e procurou a dar a seu filho a melhor educação conforme já vimos.

Anfitrião procurou um (poeta)  já que assim eram chamados os professores àquela época, para dar as instruções a seu filho brutamontes. Procurou Lino. Lino ensinava as artes da escrita, poética e leitura. Àquela época ensinava-se primeiro a ética, as artes aos jovens, antes de neles se instalar a mentira e o vício. A final a ética exige a coragem de ser verdadeiro e digno. Até os 15/16 anos o conhecimento, após isto vinha a alfabetização. Os cantos da Ilíada eram apresentados a estes jovens que desde os 8/9 anos já sabiam todos os 15.693 versos de cor (de cor significa “de coração”!)

Mas eis que Lino apresenta a Alcides várias obras (pergaminhos) para ele escolher o que mais lhe agradaria para estudar. Geralmente os garotinhos vibravam com a Ilíada (que significa “mostrar o desvio do caminho e encontrar o caminho correto”). Mas Alcides, como qualquer fortão, pensou logo na comida e fartura e escolheu um livro intitulado “O grande cozinheiro”

Lino enfureceu-se e deu um xingo em Alcides. Ralhou com o jovem como quem lhe apontando o caminho do bem recebe em troca a escolha infeliz do vício do ócio e da gula. Mas o que faz um fortão, turrão quando é xingado? Não responde de forma serena e educada. Alcides deu com um cajado na cabeça de Lino e o mata.

Anfitrião, pai de Alcides fica extremamente triste pois seu filho cometeu o mais grave de todos os crimes! Matar alguém. Mas não um alguém comum, matou um Poeta, um Professor! Assim, o isola numa floresta para lá, cuidando de algumas ovelhas, as defendesse de leões (naquela época tinha leões na Grécia e região).

Numa de suas rondas com as ovelhas um leão muito grande ataca o rebanho. Alcides o mata com o mínimo de esforço. A história vai chegar aos ouvidos de um rei que queria uma prole de filhos assim tão fortes. Diz a lenda que este rei tinha 50 filhas e aos 17 anos aquele que um dia seria chamado de Hercules é chamado pelo dito rei para lhe dar um neto sucessor de seu trono. A história agora anda de estranho a exagerada, mas duas versões sobreviveram até nós: na primeira dizem que por 50 dias Hercules ficou na casa do rei e a cada dia dormia com uma de suas filhas; numa segunda versão mais ousada dizem que ele ficou com as 50 de uma única vez!

Certo é que ele casou-se com Mégara e com ela teve três filhos. Mas o destino de Alcides estava traçado. Um dia discutiu com sua mulher e não fez outra coisa que não aquilo que um homem bruto e não educado faria: bateu na esposa e filhos, mas com sua descomunal força matou a todos!

Alcides foi levado para julgamento. Da morte do poeta (professor) Lino ele escapara, porque jovem e não passível de receber condenações. Mas agora, maior de idade, foi severamente julgado. Levado ao oráculo de Delfos seu some foi trocado para Heracles (ou Hercules) que significa “aquele que vai em direção do heróico. Sua pena: atender a todos os pedidos do Rei Euristeu que significa “aquele que te faz encontrar”. Nada mais sábio nos significados dos dois nomes para a condenação do nosso futuro herói, já que ainda não passa de um grotesco homem indigno de qualquer elogio.

A educação naqueles tempos significava o desabrochar do ser. Revelar a essência de cada um. Revelar as tendências próprias da pessoa. Quanto atingisse a idade entre 16/17 anos cada jovem iria a um oráculo para descobrir-se num retiro que poderia durar até 20 dias. Eis assim a origem do ritual da maioridade. Ritual este que Hercules levaria muito tempo para cumprir, devido sua falta de ética, sabedoria e não ser um homem pretendido na sociedade educada da Grécia antiga.

Euristeu tinha inveja de Hercules e não queria que ele voltasse vivo de nenhum dos trabalhos que atribuísse a ele. Assim sendo não poupou imaginação para exigir os mais difíceis, mas, contudo, trabalhos que engrandeceria nosso futuro herói.

1. Trazer o couro (somente o couro) do Leão de Neméia. Terrível animal. Pele invulnerável. Clava, flechas, e mais armas não o matava. Hermes informa a invulnerabilidade deste animal a Hercules. Violência não o mata apenas o sufocando venceria o animal. No covil o leão perde a agilidade, e Hercules o sufoca. Mas Euristeu queria apenas a pele do animal, que mesmo após morto nada a cortava. Hércules teve de usar de sua cabeça dura e descobrir que apenas a unha do leão corta o próprio leão. SIGNIFICADO: O leão em nós. Não adianta matar. Ou o sufoca ou não será civilizado. Primeira etapa da educação: educar a violência. Violência não se elimina, mas a mantemos sufocada. Educar a violência. Na cacetada não vence nada. Vence na arte de sufocar o seu próprio leão.

2. Matar a Hidra de Lerna. Este monstro com 9 cabeças vivia no pântano de Lerna. Quando cortar uma cabeça outras duas nasciam no lugar da decepada. Hercules cortava e não adiantava nada!  Atenas diz a Hercules: “apenas no fogo da coragem que vence as cabeças. Todas cortadas. Cada uma de uma única e definitiva vez”. Mas Hercules ainda ficou sabendo que das nove uma cabeça mesmo cortada era imortal. Hermes novamente ajuda. Queimar cada uma das cabeças quando cortada, cortar de uma facada apenas. E assim fez com cada uma de oito cabeças, mas Hercules percebeu que uma mantinha-se viva mesmo depois de cortada. Uma cabeça que não morria. Hermes informa que esta deveria ser vigiada  eternamente. Deveria enterrá-la num buraco, colocar uma pedra e vigiar. Assim fez nosso herói-a-caminho. Colocou uma pedra (que significa eternidade) sobre cabeça. SIGNIFICADO: Cada uma das cabeças representava os 9 vícios capitais. Quanto mais segura mais o vício ataca. O Vício deve ser vigiado. O homem não está livre dos vícios. O exercício da virtude é a eterna vigilância do vício dizia Sócrates. Somos melhores se nos esforçamos para livrar dos vícios. Mantemos nossa hombridade na eterna vigilância dos vícios. Naquela época cada criança tinha seu buraco para vigiar, cada buraco um vício e sobre ele uma pedra, a criança não poderia deixar a pedra sumir. Cortar de uma vez: ou se acaba com o vício de uma vez por todas ou não se acaba com ele; eliminar o vício deve ser ato de única e irretornável medida, queimando-se depois disto. É o que devemos fazer com o cigarro, a gula ou a bebida. Fogo da coragem: a busca da virtude é ser corajoso. Movido por coragem. Conforto é vício, virtude é coragem. Virtude é sacrifício. Só assim se cresce. A força bruta não adiantou!

Quem passa por uma prova, sabe que terá outra…

3. Matar o Javali de Erimanto. O Javali significa violência. Ele devastava tudo. Destrói demarcações de outros animais. Os demais animais não gostam dele. Destrói pelo prazer de destruir. Símbolo da pessoa com falta de limites. Hercules caçou e não achou. Hermes lhe informa que só em campos nevados se mata um bicho assim (quando ele atolar na friagem das nevascas frias). SIGNIFICADO: Só educa um indivíduo sem limites se ele é colocado em dificuldades para ter e desenvolver a arte de enfrentar limites. Aprender a respeitar os outros. Respeitar o que não pertence a você. Como os marcos que o javali não respeitava. Sem limites o jovem é um futuro delinquente.

Estes três primeiros trabalhos: Educação da violência, arte de sufocar os vícios e arte de estabelecer limites constituem a base da civilidade. Formação de um cidadão civilizado.

4. Levar a Corça Cerinita na presença do Rei Euristeu sem machucá-la. Mais que nunca aqui a força não vale nada. A corça é um animal sagrado à deusa Diana, a caçadora. Protege o sagrado da natureza. A corça tinha chifres de ouro e pés de bronze. Pés de bronze significava “o inalcançável”. Hercules correu, correu e nada de pegar a corça. Chifres de ouro: sabedoria. Notem os leitores que o “Moises” de Michelangelo possui dois pequenos chifres! Significa que ele está com Deus, com a sabedoria, com a graça. Chifre que não é de ouro significa brutalidade (é o caso do Minotauro). Chifres de ouro significa que a força está na cabeça, ou seja, a força da sabedoria. Hermes por Atenas ajuda Hercules mais uma vez: “só na delicadeza que alcança a corça”. Elegante e delicado animal ele atravessa uma floresta correndo e não se arranha. Ele é a antibrutalidade, a elegância, delicadeza. A natureza só se alcança com delicadeza. Conquista é a aproximação do outro, é a conquistar pelo o amor. Um trabalho da espiritualidade da natureza e do homem. Não se pode ser ameaçador e correr para aprisionar a natureza. Deve-se aprender com os exemplos dela, no caso a corsa. Hercules ficou por perto de forma carinhosa e gentil e a cativou. Assim e ela o acompanhou até o Rei Euristeu e depois foi devolvida sem maiores esforços brutos. SIGNIFICADO: Não precisa prender a pessoa, mas deve conquistá-la. Tocar nos chifres da sabedoria significa tocar na mente sábia. Não conquista pelos pés de bronze, na correria desvairada, conquista pela coisa elevada: a inteligência, delicadeza, respeito a natureza da pessoa. Atravessar um bosque imitando a corsa é o mesmo que ser elegante e ágil. Não correndo e atropelando as demais pessoa e o próprio tempo. A corça só sé alimenta das folhas verdes e escuras e não nos brotos. Alimentava-se bem e não estragava as plantas. Deixa o bom e limpa o velho. Respeita a natureza.

5. Limpar os estábulos do Rei Augias. Ganancioso, este rei queria mais e mais. Possuía terras tão férteis que elas davam 2 colheitas por ano e queria 3! No planeta terra, naturalmente somente o Delta do Nilo dá 3 colheitas anuais. Ele colocou esterco mais que deveria em suas terras e a deusa Demeter (deusa da natureza) queimou as terras. De fato é assim que acontece, se estercarmos demais as terras elas ficam insalubres. As estrebarias do rei onde ele produzia esterco estavam lotadas e imundas, pois ele tinha bois gigantes e Demeter condenou-o a ficar sete anos sem produzir. Este trabalho de Hercules consistiria em limpar estas estrebarias em apenas um dia!  Hermes novamente ajudou Hercules e o orientou a desviar o curso do rio Alfeu do lugar e direcioná-lo aos estábulos do Rei. Assim foi que deu conta da tarefa num único dia. SIGNIFICADO: Naquela época os gregos tomavam três banhos por dia. Um da higiene humana. Outro mental que consistia em aspergir ervas sobre o corpo e o ultimo para lavar as coisas ruins do espírito. Significava que a pessoa ao final do dia deveria retirar as coisas ruins do dia (corporais, mentais e espirituais) para fora e dormir livre destes males. Desviar o rio era desviar-se de um curso que se seguia e chegar a uma outra realidade, já que nos banhos era momento de reflexão e tomada de decisões. Os banhos deveriam ser diários para que não se acumulassem estes males na pessoa. Desvirar o rio com as mãos significa: fazer com as mãos. Ser sempre atendo aos trabalhos manuais. Quem ouve, esquece, quem vê lembra, quem faz aprende.

Vamos continuar nossa história. Para rever as demais histórias procurem as edições de quinta-feira do Jornal Diário passadas ou acesse meu site: www.ronaldogalvao.com.br.

6. Expulsar os pássaros do lago Estínfalo. Penas, garras e bicos de bronze eram as armas destas aves chamadas de bestiais. Hermes conseguiu chocalhos de ouro para Hercules usar contra os brutos pássaros. Lembremos que o bronze é a velocidade e a brutalidade e o ouro a sabedoria. O ruído estourou os tímpanos das aves, que surdas ficou fácil  de se debandar com elas. SIGNIFICADO: Alertas da consciência – campainha – aviso da sabedoria, da intuição. Saber a hora de seguir o destino que a consciência serena tinindo com a sabedoria do ouro apontar. Não muito racional e mais atenção à intuição. Em toda a vida nossa vida saber ouvir a voz interior.

Arte de amar é o significado encontrado no sétimo, oitavo e nono trabalhos. A arte do encontro, do olhar, do tocar, da simpatia. Respeito ao próximo. Não apenas para com as mulheres mas também com os homens. Para com toda pessoa com quem quer ser amoroso e carinhoso.

7. Capturar o touro de Creta. Violento e selvagem: significava a sexualidade desvairada. Prende-lo seria o correto, mas já que não sei deixou domar o touro foi morto assim como é morta a pessoa que se deixa levar pela sexualidade desvairada. A sexualidade exacerbada pode causar destruição e morte.

8. Capturar as éguas de Diomedes. Antropófagos estes animais devoram uns aos outros. Devorar o outro: significa usar e jogar fora. Ficar sexualmente no hoje e amanha não reconhecer. A moral deste trabalho é não deixar seu coração com qualquer um. Saber se livrar destas pessoas antropofágicas (que apenas engolem o outro se saciam e em nada mais respeitam o outro). Naquela época o prefixo hipo significava pessoa que demonstra a sexualidade. Homens e mulheres que demonstram sexualidade eram considerados repugnantes. Mostrar a sexualidade de forma ostensiva era ato vergonhoso. Os jovens eram  educados nos princípios do recato e elegância de amar.

9. Ganhar o de bom grado o cinturão de Hipólita.  Ela era a mais nobre das amazonas. Não conquistada jamais com encantamento físico. As amazonas não eram masculinizadas e sim, mulheres nobres demais; tão nobres que não se misturavam com qualquer homem. Hercules fortão não era o caso de dar agrados a ela. A entraga de um cinturão era um ritual para como que dizer a outra pessoa: “eu te pertenço”. Hoje usamos alianças nos dedos, antigamente as cintas. Hercules deviria conquista-a de forma que ela desse espontaneamente, não adiantaria apressar ou pressionar. Ter o coração de forma espontânea, conquistado com base na reciprocidade do carinho e do amor. O coração não se aprisiona, não deve ser aprisionado. Atenas dá dica: “Verdadeira persuasão! Mostrar-se verdadeiro e correr o risco; não falsificar-se. Ser amado pela verdade do que você é. Só a verdade encanta”. Ele dá conta depois de abandonar seus dotes de forte e grande e mostrar-se verdadeiro e honestamente para ela. Gostar da pessoa pelo que ela é, defeitos e virtudes. Gostar completamente e em reciprocidade de completude.

Estes dois próximos trabalhos trazem como significado a arte de transcender. A superação das limitações materiais, e dos desejos materiais.

10 Buscar os bois de Gerião. Com pelos de ouro, estes bois simbolizavam a riqueza e o poder material; quem tinha mais bois e mais belos, ostentava o poder financeiro. Hercules foi até a Mauritânia para trazer os bois. Eles eram guardados por um cão bicéfalo extremamente mau. E existia um gigante (Anteu, significa tira as suas forças da terra). Hercules vence o cão mostrando-lhe bons e saudáveis animais para comer. Trazendo os bois o gigante queria roubá-los para ostentar o poder da riqueza. Anteu era um gigante empreendedor e materialista (tirava suas forças da terra) e como grande empreendedor construía grandes obras as custas das mortes de muitos homens. Gostava de ficar próximo as suas construções exibindo enormes montes de cadáveres e ossos humanos das pessoas que haviam sido deus escravos naquelas construções. Mas o progresso não pode custar nenhuma vida humana. Não vale poder financeiro nenhum se for conquistado pelo sacrifício humano. Hercules usando sua desnecessária força lutou contra o gigante Anteu e cada vez que o derrubava ele levantava mais forte em virtude do contato com a terra da qual ele se alimentava. Atenas então dá a dica a Hercules: no ar eles morrem. Então bastou que Hercules levantasse Anteu retirando-o do contado com a terra e a materialidade que o gigante desfaleceu e morreu. SIGNIFICADO: estas pessoas não suportam a transcendência; os materialistas não dão conta da espiritualidade; morrem sufocados sem os bens materiais. Quanto mais na matéria caem mais matéria querem. Notem os velhos “pães-duros” que não se desapegam de seus trapos. O espiritualizado é desapegado, e assim cada vez mais amado, e transcendem. Largam suas coisas e dão aos mais jovens. A vida é trabalho e desapego. Os bois já não valem mais nada. Daí o ditado dito entre os gregos desde milênios antes de Cristo: “leva-se da vida a vida que levou”.

11. Buscar os pomos de ouro do jardim das Hespérides.  O nome do jardim significa: esperança. Estes “pomos” na verdade são frutas como a romã, parecem com útero. Tratava-se do jardim da fecundidade divina. Dado pela mãe Gaia para Hera esposa de Zeus. Foi o mais difícil dos trabalhos e para encontrar este jardim que era de localização desconhecida Hercules viveu várias aventuras que um dia posso pormenorizar aqui. Basta dizer que Hercules nestas aventuras conseguiu ferir o deus da guerra (Ares), após matar um de seus filhos; matou o pássaro que todos os dias comia o fígado de Prometeu, e por fim esteve escondido no próprio Olimpo. Há duvidas de como ele conseguiu os pomos de ouro, a história mais contada é que Hercules ficou segurando a Terra para Atlas, enquanto este foi no jardim e colheu os frutos, mas depois não queria voltar para a sua pena de sustentar todo o peso do planeta, e Hercules teve de mais uma vez abandonar a força e usar da persuasão para que Atlas voltasse a carregar a terra. SIGNIFICADO. Descoberta da fecundidade de cada um de nós. Fecundidade importa muito mais que um simples filho no mundo. Mas devemos nos repor dignamente com filhos que vão de fato nos fazer ser lembrados e que sejam homens de verdade. Hercules escreveu por onde passou e o que viveu para que se lembrasse daquele seu mais tormentoso trabalho. Daí dois dos objetivos de um homem: escrever um livro onde relate o que de melhor podemos oferecer ao mundo; e plantar uma árvore em respeito a natureza e a fertilidade da continuidade da vida no planeta.

Agora no ultimo trabalho Hercules deveria superar a morte!

12. Capturar o cão Cérbero de Hades. Significaria capturar a própria morte. este cão tricéfalo cujo nome significa “demônio do poço” era imensamente mais forte que Hercules. E Hercules sabia disto. Cérbero deixava todos entrar no reino dos mortos mas não deixa sair. Interessante notar aqui que Cérbero cruzou-se com uma Quimera e foi pai do Leão de Nemeia e da Esfinge que questionou a Édipo sobre que animal anda pela manha anda com quatro patas, ao meio dia com duas, a tarde com três, e encerra com oito patas. Cérbero tinha três cabeças cada uma para uma atividade: uma a do julgamento da beleza, outra para julgar nobreza e a ultima para julgar a bondade de cada um dos que entravam no mundo dos mortos. Eram as três graças essenciais de um homem para saber qual barca e qual sentido do rio dos mortos ele tomaria. Somente quando Hercules gentilmente prostrou-se diante do cão enfurecido. Quando a besta do inferno viu, mas percebeu que havia adquirido as três graças, deixou Hercules passar, mas Hercules dominou-o e levou ao Rei. SIGNIFICADO MAIOR: O que você fez de bom nestes três aspectos? Saber amar a vida para ter a morte como suave e não tormentosa.

Foi assim que nosso viajante passou de assassino a homem virtuoso. Assim e com estas histórias eram educados os jovens no passado. Para que pudessem crescer nas virtudes que os fizessem verdadeiros e honrados homens.

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