Carnaval literário

Que sou leitor devorador não é mistério para as pessoas de meu círculo de convivência. Há tempos tenho lido obras que referenciam Lúcio Aneu SÊNECA.

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Daí eu adquirir algumas obras suas.

Hoje, abrindo mão das festividades da carne enchi o espírito com três pequenas obras de Sêneca. Pequenas na extensão, gigantes no conteúdo.

“A Brevidade da Vida”

A vida pode ser breve, mas o que a prolonga é a arte de seu uso.

Pequeno é o lapso da vida bem utilizado.

A vida é breve, longa é a arte.

Bastante longa é a vida e suficiente para levar a termo os maiores empreendimentos, desde que bem utilizada.

Como ousa alguém queixar-se da altivez de outrem, quando ele mesmo não dispõe de um instante livre para si mesmo.

… toleram que outros lhes invadam a vida e até são eles mesmos a introduzirem os futuros possessores dela. não se encontra ninguém que queira repartir seu dinheiro, mas a vida cada um a partilha com muitos.

Ninguém está tão vergonhosamente ocupado como eles. (referindo-se aos que se entregam a bebida)

O que menos faz o indivíduo atarefado é viver.

A arte do bem viver exige a vida inteira, sendo, talvez, mas surpreendente que a vida toda é um aprendizado do saber como morrer.

Não diga que fulano viveu muito porque tem cabelos brancos e rugas. Ele não viveu muito. Apenas durou bastante.

O sábio não vacila em caminhar para a morte com passo firme.

Tal indivíduo não desfruta de repouso. Merece outro título. é, sim, um enfermo. Diria mais. É um morto. (referindo-se aos que se entregam aos vícios)

Dentre todos os seres humanos os ociosos de verdade são os que se dedicam a filosofia. Esses são os únicos que vivem.

Eis a única maneira de dilatar nossa vida mortal, a saber, conecta-la com a imortalidade.

 

“A Constância do Sábio”

O sábio está seguro. Nem a injúria nem a contumélia conseguem atingi-lo.

Invulnerável não é o que não está no sujeito a ser alvejado e, sim, o que não pode ser lesado.

O que vem de baixo não atinge o sábio (…) mas a injúria não o alcana porque a distância é tão grande que não enseja força suficiente para atingi-lo.

O indivíduo que faz uso da maldade, da arrogância, e da soberba contra o sábio, não passa de um mero frustrado.

Mesmo após os ataques injuriosos asseguro que todo o me patrimônio espiritual permanece íntegro e incólume.

“As Troianas”; esta na primeira tradução efetuada para o português em edição bilíngue.

Um Homem Santo!

 

Deus considera mais a pureza do que pede que as qualidades do suplicado.” (Giovanni Boccaccio)

Extrai-se do Decamerão (Boccaccio) a seguinte história: Ciappelletto era um cidadão muito mau. Materialista, entregava-se sempre a jogatina e bajulava algumas pessoas somente com o fim de obter lucro. Judiava das pessoas sem nenhum remorso e chegou a praticar homicídios até com certo gosto.

Libertino, entregava-se aos prazeres da carne e as farras com mulheres. Mulheres estas das quais ele não tinha nenhum respeito. Guloso, beberrão, somente frequentava locais de péssima fama.

Chegou a blasfemar contra Deus por várias vezes.

Um dos seus maiores prazeres era fazer falso testemunho. Se o testemunho fosse judicial, mentia com excepcionais dotes artísticos, e se gabava de assim proceder.

Sua vida era uma entrega total aos gozos carnais e materiais. Vivia assim e não se importava com as opiniões das outras pessoas sobre seu proceder. Tanto que nunca fora conhecido pelo seu nome na sua região, e sim pelo apelido de cappello (chapéu em italiano)

Ocorre que certa feita surgiu-lhe a oportunidade de fraudar uma grande soma de dinheiro acaso viesse fazer uma cobrança a pessoas muito malévolas. Aceitando o encargo, partiu para uma terra distante onde se encontravam os devedores. A final, Ciappelletto também era conhecido pela agiotagem. O credor da dívida despachou-o dizendo que acaso não voltasse se apossaria de todo o seu patrimônio.

Chegando na localidade, antes de proceder seu mesquinho trabalho hospedou-se na casa de dois irmãos que também ganhavam a vida com a agiotagem. Mas estes irmãos florentinos eram razoavelmente bem vistos na sociedade cristã da época, e professavam grande fé em Deus, mas sabiam das malevolências de Ciappelletto.

Ocorre que Ciappelletto acabou ficando gravemente enfermo tendo contaminado-se com a “peste negra” que à época dizimava a Europa.

Isto deixou os dois irmãos numa cilada sem igual: se despachassem o moribundo, a sociedade os recriminaria severamente, e lhes custaria ainda grande pesar; acaso ficassem com Ciappelletto ele não receberia as benções finais haja vista ser pessoa muito má, e não teriam como enterrá-lo.

Mas, escutando a conversa dos irmãos florentinos sobre que destino dar ao desditoso hóspede, Ciappelletto pediu a ambos que convocassem um frade para o confessar. Ciappelletto disse que a tudo daria jeito que nem os florentinos nem ele próprio ficariam sem amparo divino.

Desacreditando do sucesso da empreitada do moribundo os irmãos florentinos chamaram o frade que não conhecia a terrível fama do seu futuro confidente. Na verdade os irmãos muito mais acreditavam que ao ouvir a confissão o resultado fosse uma severa excomunhão.

Chegando o servo de Deus, este pôs-se a interrogar Ciappelletto, que se apresentou com este nome e não com aquele apelido que o dera fama. Questionando-o a quanto tempo este havia se confessado, a resposta foi no sentido de informar ao frade que ele se confessava diariamente! Que se lastimava por sua alma já que faziam oito dias que não se confessava.

O frade, feliz com o que ouvira, questionou sobre o pecado da luxúria, e a resposta deu conta que Ciappelletto informou ser tão virgem quanto o dia que nascera! Acrescentando que foi uma pessoa que sempre se reservou a Deus. O frade assustou-se com tamanha castidade que até mesmo entre as ordens religiosas mais severas era difícil encontrar! Ciappelletto chorava arrependido por ter, um dia, visto os punhos de uma mulher e entender que mesmo não a tendo desejado isto era contra a vida casta que levava.

Continuando questionou sobre a gula. Foi-lhe dito que jejuava três dias por semana passando somente a pão e água. E que sentia-se ainda um pecador já que quando comia algumas saladas, as comia com muito gosto, e este muito gostar, para ele, era como se gula fosse.

Acalentou o frade informando que após tantos jejuns o prazer em comer alguma folha não lhe levava a condição de pecador.

O próximo pecado a saber se cometido era o da avareza. Antes de responder o senhor Ciappelletto caiu em pranto profundo dizendo-se que neste pecado incorrera uma vez quando recebera uma quantia fruto de uma barganha e não conferiu o valor. Tempos depois notou que passou 3 centavos na quantia e mesmo tendo procurado o dono do dinheiro por um ano e não o encontrando fez doação deste valor, acrescido de todos os juros possíveis, aos pobres.

Assustado com tamanha benevolência o frade disse que foi ato santo o que cometeu no caso e nunca um pecado. Contudo o confidente ainda insistia ser pecado afanar, como fez, aqueles 3 centavos.

O interrogatório dos pegados foi seguindo como o costume, com o frade questionando sobre o acometimento de homicídio. O senhor Ciappelletto disse que jamais matara animais em sua casa. Já que por ser eles criaturas de Deus, compreendia que ao matar uma galinha que fosse, cometeria tal pecado. Mais uma vez assustou-se o frade com tamanha devoção a vida dedicada a Deus e perguntou sobre pecar falando mau das pessoas. Ciappelletto, iniciou novamente um inconsolável choro e disse que já caiu nesta esparrela do demônio, quando disse a uma pessoa o quanto uma senhora apanhava de seu marido quando ele bêbado. Disse que as surras eram de vara dura de madeira! Foi dito a verdade, mas o que foi dito era mau. O frade mais uma vez intercedeu pelo senhor Ciappelletto e disse que assim procedendo salvou a pobre senhora de piores tormentos, e quem sabe até da morte.

Por fim perguntou o frade se ele tinha mais algo a dizer, se tinha mais algum pecado confessar. O doente terminal quase explode de lamúrias ao informar que desafiou as leis de Deus quando varreu sua casa num sábado depois da hora nona. Isto significaria não guardar os dias santos! Novamente as lagrimas sobrevieram nos olhos de Ciappelletto que dizia que com tal fato estaria condenado eternamente aos infernos.

Apiedado, o frade disse que esta ocorrência não lhe causaria condenação alguma.

O frade informou que se intercederia por ele junto a Deus e que estava absolvido de qualquer tipo de falta que eventualmente cometera.

Os irmãos florentinos que, por detrás de um biombo a tudo ouviam ficaram estarrecidos com tamanha falsidade do senhor Ciappelletto. Como poderia um homem, diante da morte, mentir a própria confissão diante de um frade santo de maneira aparentemente tão verdadeira! Ciappelletto era um artista, e os mais profundos dos infernos era seu destino.

Maravilhado com a alma santa que confessara o frade dirigiu-se ao seu monastério e deu conta a seus irmãos em Cristo que esteve na presença de um homem santo.

Passados alguns dias, o senhor Ciappelletto sucumbiu e os dois irmãos foram informar aos frades. Estes com estremado pesar resgataram o corpo do falecido e o enterraram dentro de uma capela.

Com tal fato os irmãos livraram-se do perigo de serem expostos ao pecado da excomunhão por não darem enterro ao moribundo, ou ainda por tê-lo despachado no momento de aflição.

E mais, o frade, contou a todos os demais bispos a confissão que recebera daquele que então estava enterrado na capela. A narrativa vindo de tão respeitado membro da ordem cristã, fez com que a história fosse conhecida por muitas pessoas que então passaram a lhe fazer orações e pedir sua intercessão para uma vida mais santificada. Seu túmulo tornou-se local de peregrinação e de demonstrações de fé.

Através de Ciappelletto todos pediam a Deus força e perseverança quando diante do pecado. Muitas pessoas converteram-se a uma vida regrada, de jejum e de dedicação a Deus pelo exemplo deixado por Ciappelletto.

Quanto ao senhor “Cappello”, este nunca mais foi visto na sua terra de origem, sendo certo que ao receber a dívida preferiu gastá-la consigo mesmo a ter de devolver o dinheiro ao credor a quem prestava o serviço.

 

 

 

 

Você Aprende

Texto atribuído a Willian Shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança ou proximidade. E começa aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, ao passo que o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol pode queimar se ficarmos expostos a ele durante muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe: algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e, por isto, você precisa estar sempre disposto a perdoá-la.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas alguns segundos para destruí-la; e que você, em um instante, pode fazer coisas das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e que, de fato, os bons e verdadeiros amigos são a nossa própria família que nos permitido escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos: se compreendermos que os amigos mudam (assim como você). Perceberá que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou até coisa alguma, tendo, assim mesmo, bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com palavras brandas, amorosas, pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez que as veremos; aprende que as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas somente nós somos responsáveis por nós mesmos; começa a compreender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que se pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se deseja tornar, e que o tempo é curto. Aprende que não importa até o ponto onde já chegamos, mas para onde estamos, de fato, indo – mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar servirá.

Aprende que: ou você controla seus atos e temperamento, ou acabará escravo de si mesmo, pois eles acabarão por controlá-lo; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa o quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados a serem considerados, ou analisados.

Aprende que heróis são pessoas que foram suficientemente corajosas para fazer o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências de seus atos. Aprende que paciência requer muita persistência e prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, poderá ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais haver com tipos de experiências que teve e o que você aprendeu com elas do que quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisto. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isto não dá a você o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame, não significa que esta pessoa não o ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos ama, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isto. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa consertá-lo. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua alma – ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que, realmente, tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir muito mais longe – mesmo após ter pensado não ser capaz. E que realmente a vida tem seu valor, e, você, o seu próprio e inquestionável valor perante a vida.

Nossas dádivas são traidoras… e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

O homem que voltou do purgatório

Do Decamerão de Boccaccio

Conta a história que um homem perseguido por vários crimes fugiu para uma cidade distante, onde assaltando um frade, assumiu aquela identidade santa. Ali naquela cidadela, sentido-se livre das garras da justiça, passou a confessar penitentes e aprendeu a celebrar missa com um comparsa que associou-se a ele posteriormente.

Numa destas confissões uma senhora muito bonita despertou os calores da carne neste lobo vestido de frade. Nas suas confissões declarou também que seu marido era um homem muito abestado, ou sejasem cultura nenhuma. Talvez em função disto este mau marido aplicava surras contínuas na confidente em função do exagerado ciúme que lhe devotada. A pobre mulher já não mais agüentava tanto sofrimento.

Nisto o frade que também fora um grande estelionatário percebeu uma oportunidade de usufruir dos dotes físicos da bela mulher.

Passada uma segunda e terceira confissão, cativando-a o frade propôs a mulher que desse uma solução ao caso de seu malvado marido. Disse a ela que mesmo graves, aqueles pecados do marido não o levaria em definitivo aos infernos, mas apenas por um período no purgatório. Que o frade tinha como resgatá-lo do purgatório posteriormente.

A mulher ficou impressionada, pois jamais soubera de alguém que retornara do mundo dos mortos, seja céu, inferno ou mesmo do purgatório. Mas o frade disse que isso era com ele e com os anjos protetores das almas do purgatório. E que se ela aceitasse a proposta ele daria jeito de tornar o marido dela em uma boa pessoa.

A mulher agradou da proposta, mas perguntou quais penitências deveria oferecer para tal graça. O frade então dá seu bote certeiro: “quero seus favores sexuais!”. Pasma a senhora que mesmo sofrendo nas garras do marido, jamais pensou em traição; menos ainda com um homem de Deus. Mas o frade disse que ele deveria ir ao purgatório dar conta da situação de recuperação do esposo, mas que por ser homem santo demais, jamais entraria pelos portões intermediários do céu e inferno. Que ele precisaria ter um ligeiro pecado para ir buscar o marido dela de volta.

Como o bandido travestido de frade não era de má aparência e isto poderia ser de certa forma, prazeroso para a mulher, esta por fim, acabou cedendo.

Eis que o falso frade desta história arrumou uma boa quantidade de ópio e introduziu na bebida do marido ingrato durante uma comemoração da igreja. O homem caiu duro e o frade deu logo de acudi-lo ao chão, mas de pronto levantou-se com o veredicto final: “este homem está morto!”

Enterrado naquela mesma tarde, à madrugada do mesmo dia o frade e seu comparsa desenterraram o homem que somente veio a acordar nos mais profundos calabouços do monastério onde residiam. Sem janelas ou qualquer outra fresta o homem sentiu-se sem as roupas com as quais usualmente trajava.

Instantes depois entra uma vela carregada por uma figura (o falso frade) com um bastão a mão. O homem apanha implacavelmente. Seus gritos ecoam somente no local, já que este era muito bem vedado. Foi quando notou que estava trajando um grande vestido branco, e na sua cintura um cordão vermelho. Depois da sova, um prato de comida lhe foi apresentado.

O moribundo que sentia todos os seus ossos praticamente quebrados pela carraspana questionou o motivo da surra, ao que aquele ser com voz de trombone lhe respondeu: “Você está no purgatório!”. Isto seguido de uma gargalhada malévola, digna dos endiabrados. “Mas o que me trouxe aqui?”, continua questionando o homem. O frade, custando a conter o riso explica forçando a voz grossa: “Você foi um péssimo marido! Ciumento, violento, pessoa ignorante! Assim sendo vai ficar aqui no purgatório até que Deus ouça suas preces, as de sua esposa e do santo frade que com ela ora todos os dias”. O homem estava impressionado: “Mas se eu morri, porque me serve comida? Onde estão as outras almas do purgatório?”. O frade estelionatário respondeu com a maestria dos enganadores: “Ora! Todos comem no purgatório, saiba você que não se alimentar e aqui morrer, irá direto para os infernos! E desta vez sem possibilidade de retorno! Você não vê as outras almas, mas estão todas aqui, mas uma não vê a outra como forma de purga, para que na solidão reflita sobre sua vida. Agora chega!!! Mais tarde lhe trago outra sova com varas de marmelo e banho de sal nas feridas!”.

O homem que sabidamente era um ignorante e muito pouco conhecedor das coisas, aceitou estas explicações e ficou ali alojado sobre um monte de palhas secas.

Por dias seguidos o bandido, que se fez frade e agora se faz anjo do senhor, vinha lhe trazer alimento acompanhado de surras monstruosas.

Enquanto isto, o frade aproveitava dos favores sexuais da “viúva” sempre que iria lhe confessar.

Esta situação durou por cerca de um ano.

Foi quando então, passado este tempo, a viúva informou ao frade que estava grávida. Assustado o frade decidiu que já era hora do marido da mulher retornar do purgatório. A mulher ainda argumentou que o filho que estava em seu ventre era do frade; mas o esperto frade retrucou: “Não!!!! Não é meu!!! É o sinal dos Céus informando que seu esposo já está pronto para retomar uma vida santa aqui na terra.” Argumentou ainda que ele como homem de Deus não seria capaz de gerar um filho, e que tudo que se passou deveria ficar em segredo, já que não passou de uma forma de o frade ter um pequeno pecado para ir ao purgatório, levar, e agora, buscar o marido dela. Mais uma vez a mulher, não menos ignorante que o marido, aceitou estas esdrúxulas explicações.

Naquela noite o frade e seu comparsa retornaram ao claustro do pobre cidadão e não lhe açoitou, mas serviu-lhe uma farta comilança recheada de drogas a base de ópio. Mas antes comunicou ao moribundo: “Fui informado pelos Céus que sua pena já foi devidamente cumprida. Agora deverá voltar a vida na Terra e ser gentil e carinhoso com sua esposa! Deus lhe manda um sinal de sua conversão e lhe dá um filho ao qual deverá colocar o nome de Bento.” Afoito o homem quis saber como retornaria e o falso frade sentenciou: “Ora! Ressuscitando!”.

Desmaiado, o homem foi levado à sua antiga cova e enterrado apenas com um pouco de terra sobre seu corpo.

Logo pela manhã, terminado o efeito das drogas o homem acorda e se vê ressuscitado. Vai ao encontro de sua esposa. Torna-se virtuoso cristão; um apaixonado zeloso esposo; faz florescer a fé nas pessoas contando as suas histórias de quando esteve no purgatório, fazendo acrescentar que lá conheceu muita gente, que conversou com velhos amigos já falecidos, que de lá, o antigo prefeito que sofria duras penas mandava o atual prefeito ser menos corrupto; inventava histórias e mais histórias sobre suas andanças pelo purgatório, todas no sentido de reafirmar a fé das pessoas.

Por fim, nascido o filho, deu-lhe o nome de Bento e dedicou a vida a fazer dele uma pessoa carregada de virtudes.

Quando a frade e o seu comparsa, não perderam tempo, e arrumaram uma viagem para longe do local, para que sua façanha, se descoberta, não a fosse com ele por perto.

iG Colunistas – O Buteco da Net – » Atirando contra si próprio dentro de uma piscina

Sobre balística

Para nossas aulas de medicina legal

O físico norueguês Andreas Wahl é responsável pelo experimento mais incrível dos últimos tempos. Ele entrou numa piscina e amarrou uma corda em um fuzil para… disparar contra ele. Quer ver o que aconteceu?

VEJA O VÍE

Veja o que aconteceu:

VEJA O VÍDEO EM: iG Colunistas – O Buteco da Net – » Atirando contra si próprio dentro de uma piscina.

Nem todas as empresas podem recorrer à recuperação judicial – Notícias – UOL Opinião

Interessante análise!

O maior problema, contudo, reside nos requisitos substanciais da recuperação judicial e que podem ser traduzidos em um só termo: viabilidade econômica. A definição da viabilidade econômica de uma empresa em crise passa por tantos fatores que fazem do processo de recuperação judicial um dos mais delicados exercícios de cooperação humana em busca da comunhão de interesses. Devedor e credores são colocados em difícil situação de confronto e, mesmo assim, são obrigados a colocar suas diferenças de lado em busca de uma solução de mercado para a crise.

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Descoberto o gene que pode causar a esquizofrenia

Mais um acréscimo a ser efetuado em nossos estudos de psicopatologias

Pesquisadores da Universidade de Harvard podem, finalmente, ter descoberto o processo biológico que resulta na esquizofrenia. Eles analisaram quase 65 mil pessoas para decifrar quais traços genéticos estão associados mais fortemente à doença.O principal fator que promove os sintomas da esquizofrenia é um fenômeno chamado poda sináptica, que, como o nome diz, corta as sinapses (comunicação entre os neurônios) com o objetivo de eliminar células estranhas ou pouco utilizadas.

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